Lisboa recebeu no passado sábado, 31 de janeiro, um Pedro Abrunhosa em plena forma. Perante um MEO Arena esgotado, o músico portuense apresentou um espetáculo que uniu três décadas de carreira, novas sonoridades e uma entrega emocional que continua a ser a sua marca distintiva. O alinhamento, extenso e cuidadosamente construído, guiou o público por uma viagem que oscilou entre a introspeção e a catarse coletiva.
A noite abriu com uma introdução cinematográfica, onde “Dorme | Basta-me Essa Luz” e “Deus Ainda Não Terminou” funcionaram como prólogo para o que viria a ser um concerto de intensidade crescente. A partir daí, Abrunhosa entrou em palco com a energia que o caracteriza, arrancando com “A.M.O.R.” e seguindo para clássicos incontornáveis como “Se Eu Fosse Um Dia o Teu Olhar” e “É Preciso Ter Calma”, recebidos em uníssono por uma plateia que sabia cada palavra.
O concerto avançou com uma cadência emocional bem medida. Temas como “Não Te Ausentes de Mim”, “Devias Vir Salvar-me” ou “Glória aos Vencidos por Amor” mostraram a faceta mais poética e melancólica do artista, enquanto “Rei do Bairro Alto” e “Acima & Abaixo” incendiaram a arena com ritmos mais pulsantes.
Um dos momentos mais marcantes da noite surgiu com a participação de Sara, que se juntou a Abrunhosa para interpretar “Que o Amor Te Salve Nesta Noite Escura” e “Para os Braços da Minha Mãe”. A química entre ambos e a força emocional das canções criaram um dos instantes mais aplaudidos do espetáculo.
Antes do encore, “Ilumina-me” trouxe uma atmosfera quase espiritual, com milhares de luzes erguidas no público a transformar o MEO Arena num mar cintilante. Já no regresso ao palco, Abrunhosa ofereceu três derradeiras canções que funcionaram como fecho perfeito: “Eu Não Sei Quem Te Perdeu”, “Lua” e, claro, “Tudo o Que Eu Te Dou”, que fez a sala inteira levantar-se para um último coro coletivo.
Com um alinhamento de 25 temas, o concerto foi mais do que uma apresentação musical: foi uma celebração da carreira de um dos maiores nomes da música portuguesa, mas também um testemunho da sua capacidade de se reinventar e de continuar a emocionar diferentes gerações. No final, ficou a sensação de que Pedro Abrunhosa não só revisitou o passado, como abriu portas para um futuro onde a sua música continua a ser farol.

