Do controlo ao caos: dois golos que reescreveram o final.

O tão proclamado “Jogo do Título”, que poderia solidificar a campanha Portista para a conquista do campeonato ou, no sentido inverso, ser o catalisador da chama pela corrida ao título por parte das Águias. No entanto, nada ficou decidido e as equipa mantiveram a mesma distância pontual.

Na tarde de domingo, 08 de Março, o SL Benfica recebeu, na Luz, o FC Porto para mais um clássico entre rivais. Era esperado um jogo combativo onde ambas as equipas tinham interesse em somar pontos, após o Sporting ter garantido 1 ponto na pedreira, frente ao Braga. Representava uma hipótese de, por um lado aumentar a vantagem pontual e isolar-se no topo da tabela para os azuis e brancos, por outro apertar a corrida ao título e encurtar a diferença de pontos no topo da tabela.

Algumas surpresas nos onzes, nomeadamente o retorno do meio campo benfiquista pisado por Enzo Barrenechea e Richard Ríos, assim como a estreia de Oskar Pietuszewski que reforça a confiança do técnico portista no jovem avançado. O palco estava montado, a expectativa era grande e as emoções estavam ao rubro. Com direito a um “TIFO” de Cosme Damião que se lia “De todos, um”, mas também um minuto de silêncio em homenagem a António Lobo Antunes, marcaram o tempo antecedente ao apito inicial.

Logo após o apito inicial, a partida foi interrompida devido à condição de visibilidade, afetada pela pirotecnia usada nos primeiros instantes do jogo. Com o jogo retomado, foram precisos pouquíssimos minutos para estrear e a abrir o marcador. Aos 10 minutos Alan Varela descobre Victor Froholdt nas costas da defesa encarnada, que possibilitou ao dinamarquês o remate, defendido numa primeira tentativa por Trubin mas a cair em “zona morta” e a permitir ao médio portista nova tentativa de remate, que não pediu licença e atirou para o fundo das redes.

Um ínicio de sonho para a equipa portista e um pesadelo para as àguias. Que não ficaria por aqui.

A equipa do Porto a fechar bem, perante um Benfica com pouca capacidade para conseguir ligar jogo com os seus atacantes. Apesar das tentativas de resposta, eram interceptadas pela leitura dos defesas portistas e que conseguiriam manter a posse de bola. Os argumentos das águias pareciam não incomodar a estrutura montada por Farioli. Perto de encerrar a primeira parte, com um domínio no jogo até então, o FC Porto chegaria mesmo a dilatar a vantagem pelo estreante Oskar Pietuszewski. Novamente uma transição ofensiva muito bem conseguida, e o avançado dinamarquês a trocar as voltas a Otamendi em jogada individual, rematando tranquilamente para fazer abanar as redes pela segunda vez.

De regresso dos balneários para a segunda parte, o técnico italiano a fazer duas alterações: entram Seko Fofana e William Gomes, saem Gabri Veiga e Pepê. A equipa benfiquista viria com vontade de alterar as condições do jogo, assumindo a segunda parte logo desde cedo, com alguma posse de bola tentando desmobilizar a muralha portista. Prestianni e Rafa seriam até ao momento as principais armas ofensivas, mas sem sucesso, Rafa a conseguir um remate no interior da área mas sem a melhor direção.

Alterações para ambas as equipas, José Mourinho a fazer entrar Dodi Lukebakio e Franjo Ivanovic para o lugar de Prestianni e Rafa. Francesco Farioli a fazer entrar Borja Sainz saindo Oskar Pietuszewski.

Neste jogo de xadrez tático, foram as alterações de José Mourinho que viriam a mostrar resultado palpável, com Lukebakio a ultrapassar dois defesas portistas e a rematar ao poste mais distante da baliza de Diogo Costa. Atento no ressalto, Andreas Schjelderup a antecipar-se à defesa portista e a rematar para o fundo das redes, trazendo assim um “balão de oxigénio” e esperança à equipa benfiquista.

O golo viria a dar um grande alento à equipa da casa, que o demonstrou após várias tentativas, mas seriam mesmo dois jogadores vindos do banco a conseguir chegar ao golo do empate. Ivanovic a cruzar e descobrir Leandro Barreiro no interior da área que finaliza com sucesso. As águias em crescente na segunda parte e a acreditar ainda na mudança no resultado.

No entanto, os minutos finais ficariam mesmo marcados pela ansiedade e confusão vivida nos bancos de suplentes, em que João Pinheiro expulsa o técnico José Mourinho através de cartão vermelho direto, por palavras dirigidas à equipa de arbitragem. Os ânimos continuaram quentes até ao final do jogo, que ficou marcado por lance dentro da área portista, em que se pediu por parte dos benfiquistas revisão VAR mas sem qualquer intervenção na decisão de João Pinheiro.

Terminaria assim, com tudo empatado, o clássico entre SL Benfica e FC Porto, na Luz, a contar para a 25ª Jornada da Liga Portugal Betclic.

Fotografias e Texto: Sandro Alemão

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