A empresa PSG Segurança Privada, fornecedora de serviços de vigilância a várias entidades públicas, enfrenta um aumento significativo de queixas relacionadas com salários em atraso, acertos finais não pagos e irregularidades no cumprimento das obrigações laborais. Apesar disso, continua a operar em locais de grande visibilidade pública, como a Estação de Lisboa‑Oriente, infraestruturas ferroviárias e serviços municipais.
Queixas de trabalhadores revelam padrão de incumprimento
Nos últimos meses, multiplicaram‑se relatos de vigilantes que não recebem o salário dentro do prazo legal. Entre os casos mais recentes está o de um trabalhador que, após quatro anos ao serviço da empresa num posto da Infraestruturas de Portugal, denunciou a falta de pagamento de horas noturnas, feriados e acertos finais de contrato, mesmo após cumprir integralmente o aviso prévio.
As queixas apontam para atrasos recorrentes, ausência de resposta da administração e dificuldades em obter documentos essenciais, como declarações de rendimentos ou comprovativos de pagamento.
Pressão sindical e histórico de conflitos no setor
A situação da PSG insere‑se num contexto mais amplo de instabilidade no setor da vigilância privada. Em anos anteriores, vigilantes da empresa já tinham marcado protestos, incluindo manifestações em frente à Infraestruturas de Portugal, denunciando salários em atraso e exigindo fiscalização do Estado sobre as empresas contratadas.
O sindicato STAD tem sido uma das vozes mais ativas, alertando para incumprimentos salariais e defendendo a responsabilização das entidades públicas que contratam empresas que não garantem condições dignas aos trabalhadores.
Contratos públicos mantêm‑se apesar das denúncias
A PSG continua a assegurar vigilância em vários serviços públicos, incluindo estações ferroviárias, edifícios municipais e organismos estatais. A presença de vigilantes em locais como a Estação de Lisboa‑Oriente levanta questões sobre a forma como o Estado avalia e fiscaliza o cumprimento das obrigações laborais por parte das empresas subcontratadas.
A legislação portuguesa prevê mecanismos de responsabilidade solidária da entidade pública contratante em casos de salários em atraso, mas estes raramente são acionados sem pressão sindical ou intervenção da ACT.
Impacto direto na vida dos trabalhadores
Os atrasos salariais têm consequências graves para os vigilantes, que frequentemente recebem salários próximos do mínimo do setor. Segundo as tabelas salariais da vigilância privada, os valores base são modestos, tornando qualquer atraso especialmente penalizador para quem depende do rendimento mensal para despesas essenciais.
A instabilidade financeira afeta também a qualidade do serviço prestado, já que trabalhadores desmotivados ou em situação de stress económico têm maior dificuldade em manter a atenção e o rigor exigidos pela função.
Imagem pública da empresa contrasta com denúncias
No seu discurso institucional, a PSG apresenta‑se como uma empresa focada na excelência e no recrutamento de profissionais qualificados.
Contudo, a realidade relatada por vários trabalhadores aponta para problemas estruturais de gestão, atrasos sistemáticos e falta de comunicação interna.
O que está em causa para o futuro
A acumulação de queixas, associada à manutenção de contratos públicos, coloca pressão sobre o Estado para reforçar a fiscalização e garantir que empresas de segurança privada cumprem as obrigações legais.
Para os trabalhadores, a prioridade continua a ser o pagamento atempado dos salários e o respeito pelos direitos laborais.

