Segunda-feira, Março 4, 2024
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Carlos do Carmo Diz Adeus aos Palcos com Concerto “Obrigado!”

No passado dia 09 de Novembro, o Coliseu de Lisboa foi o palco para o último concerto de Carlos do Carmo. O espetáculo, que há muito se encontrava esgotado, teve início com o público a aplaudir de pé a entrada do artista. Um pequeno vídeo de apresentação, enquadra Carlos do Carmo que inicia a sua atuação com o tema “Vim para o fado”. O cenário, quase sempre preenchido por imagens das mais diversas atuações do artista ao longo dos seus 57 anos de carreira, apresenta a sua primeira entrevista  e introduz os temas  “Gaivota” e “Canoa”, dois fados que cantam a sua cidade, Lisboa.

Carlos do Carmo dirige-se pela primeira vez ao público, para agradecer a presença de todos e de uma forma especial de algumas entidades oficiais, como o Presidente da República,  o Primeiro Ministro e o Presidente da Câmara de Lisboa. A atuação continuou com os fados “Duas Lágrimas de Orvalho”, “Bailado”, que confidenciou ter sido o responsável por ter conhecido o amor da sua vida, a sua mulher, com quem está casado há 55 anos e ainda “Castanheira”.

Declarando o seu amor pelo fado, Carlos do Carmo agradeceu a quem, com empenho e determinação, trabalhou para criar o Museu do Fado, em Alfama. Inicialmente contestado pelo próprio bairro, é hoje amado e visitado por largas centenas de pessoas. E, em jeito de tributo, o cenário mostra agora a imagem do grande poeta Ary dos Santos e Carlos do Carmo canta um poema de sua autoria: “os Putos”. Lembrando sua mãe, Lucília do Carmo, que fica como fundo, canta um fado seu: “Olhos Garotos”.

Uma breve pausa na voz de Carlos do Carmo, para dar lugar aos músicos que fizeram as guitarras vibrar alguns dos temas mais conhecidos do artista, que logo de seguida os apresentou: José Manuel Neto, na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença, na viola de fado e na viola baixo, José Maria de Freitas. Os momentos altos da carreira do artista, que cantou um pouco por todo o mundo e nos palcos mais emblemáticos, continuaram a ser vistos e recordados, sendo agora o momento de o vermos a receber o Grammy Latino, atribuído pela primeira vez a um artista português.

O vídeo do tema “I’ve got You” cantado em inglês pelo artista, foi o passaporte para voltarmos à voz de Carlos do Carmo com os temas “Homem na Cidade” e “Bairro Alto”. A pouco mais de um mês de completar 80 anos de vida, muitos dos seus colegas e amigos deixaram palavras de parabéns e de agradecimento ao homem e ao artista. Pelo meio, Carlos do Carmo interpretou “Marriquinhas.com”, “Cheirinhos”, “Cacilheiro” e “Homem das Castanhas”.

O espetáculo aproximava-se do fim e era o momento de homenagear o artista. Das mãos do Presidente da Câmara de Lisboa, recebeu a Chave da Cidade, tendo Fernando Medina afirmado que Carlos do Carmo canta a alma de Lisboa como nenhum outro o fez. Seguiu-se a entrega da medalha de Mérito Cultural, pela Ministra da Cultura e colocada pelo Primeiro Ministro António Costa, que referiu que esta é um agradecimento não pelo que já fez pela música portuguesa, mas pelo muito que irá ainda fazer por esta. António Costa chamou ainda ao palco Maria Judite, mulher de Carlos do Carmo, a quem ofereceu um ramo de flores.  Após os calorosos cumprimentos, Carlos do Carmo agradece e faz questão de referir a amizade que o liga a António Costa, desde os tempos em que foi presidente da edilidade lisboeta.

Com a sua fotografia e o nome do concerto como fundo, “Lisboa Menina e Moça” foi o último tema apresentado pelo artista. Aplaudido de pé e com grande ovação, Carlos do Carmo agradece, não deixando de referir a participação especial de João Pedro Santos, no clarinete. O público, por quem ele sempre foi muito bem tratado, proporcionou-lhe estes 57 anos de carreira, que ele agradece de coração.

Perante a insistência dos presentes, Carlos do Carmo volta ao palco para cantar “Cravo” e de novo “Lisboa Menina e Moça”. Agradece mais uma vez e refere ainda a presença de António Guterres, secretário geral da ONU. Assim, disse Carlos do Carmo adeus aos palcos, mas não dissemos adeus a Carlos do Carmo, porque apenas lhe dizemos OBRIGADO!

Texto: Helena Maroco
Fotos: Jorge Torres Carmona

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