Miguel Araújo – Histórias Cantadas

Dia 20 de Maio deste ano, precisamente um ano depois do lançamento do álbum “Giesta”, Miguel Araújo apresentou-se no Salão Preto e Prata do Casino do Estoril pela primeira vez.

Foi uma cortina fechada que recebeu o público, numa sala que estava praticamente cheia. Quando as luzes se apagaram ouviram-se então os primeiros acordes e foi possível ver todos os músicos em palco a tocar “Lurdes”.

O cenário era composto por sombras que faziam lembrar um poste de alta tensão com os seus respectivos fios, e as luzes eram quentes e acolhedoras. Por cima dos artistas, passaram as letras das músicas que se foram ouvindo.

Miguel revelou-se bastante falador entre as músicas, tentando enquadrar as histórias de cada uma delas no contexto da sua vida e também aqui conseguimos perceber o grande músico que temos à frente, para além das suas canções, ele escreve e compõe para inúmeros artistas nacionais, mas nunca perdendo a sua simplicidade e simpatia.

O público apreciou especialmente os temas “Romaria de Santa Eufémia”, “Reader`s digest”, “Recantiga”, “Sangemil”, “Cigano”, “Será amor”, “Balada Astral”, “Dona Laura” e “Aviões”.

Ficamos a conhecer muitas curiosidades das músicas, como “Sangemil” que é dedicada aos seus inspiradores tios, “Meio Conto” que é inspirada no Natal, mas com contornos bastante diferentes, “Axl Rose” que marca o fim da sua infância e o “Pica do sete” que foi escrita para Carminho.

O encore foi um momento incrível, em que Miguel Araújo surgiu sozinho com a sua guitarra e o público espontaneamente começou a pedir determinadas músicas, e o artista fez a vontade aos presentes e tocou, fora do alinhamento, um medley das músicas “Cartório” e “Capitão Fantástico” o que o levou de novo ao programado com os “Aviões”, cantada em uníssono por todos.

Anunciou então que iria tocar um tema de Mafalda Veiga e assim que começou a tocar a música, a cadeira a seu lado iluminou-se e eis que a própria se encontra ao seu lado e canta “Planície” com ele, um momento especial.

Por último ouviu-se os “Maridos das outras”que terminou de forma apoteosa, com uma desgarrada entre o pianista e a guitarra de Miguel Araújo, que transbordou num frenesim de sons.

Não podemos passar sem falar dos músicos que acompanharam o artista, um pianista que também tocou acordeão, um baixista que também tocou contrabaixo, um baterista que também tocou vibrafone, uma guitarrista que também cantou, um multifacetado homem do sopro e uma fantástica violoncelista.

A digressão do “Giesta” estará na estrada até Novembro deste ano, por isso aproveite para o ver, numa sala perto de si!

Texto: Raquel Coelho