José Cid e a sua visão mais além

 

José Cid esteve este sábado, dia 18 de Dezembro, no Capitólio, a apresentar o seu vigésimo quinto trabalho de estúdio “Vozes do Além”.

Este álbum resulta do desafio em musicar o poema “Um dia”, de Sophia de Mello Breyner Andersen, lançado pelo produtor Rui Vaz, e este foi o ponto de partida para fazer o mesmo com outros poemas que lhe são próximos. O mote do álbum, que saiu em formato CD duplo e triplo vinil, é a reencarnação.

Descontraído e sempre simpático, José Cid entrou em palco, só ele e o órgão e toca “Um dia”. Segue-se “Ai” que como o próprio explica, é um grito de esperança.

O fundo do palco tem um ecrã, onde vão passando imagens de acordo com os temas tocados, dando corpo e ainda mais alma ao concerto.

Entra a banda e ouve-se “Vou amar-te para além da morte” e “o Cantor não morre”, este último com poema de autoria de Carlos Nascimento e com a participação de um saxofonista.

Não poderia faltar Natália Correia, com o seu poema “Creio”, uma justa e bonita homenagem a esta nossa poetisa.

“Reencarnar é possível”, poema composto por Tozé Brito, Inês Menezes e José Cid, contou com os três em palco. Um tema bonito, cantado a três vozes, acompanhados somente de órgão, e em que Tozé e Inês estiveram de mãos dadas.

A música “Vozes do além”, que dá nome ao álbum e “Quando” foram do agrado do público. Um público de muitas gerações, que vibraram de contentamento com o Rock progressivo apresentado e que dançava de forma mais ou menos contida nas suas cadeiras.

Em “Não há inferno” houve uma conversa/reflexão entre a banda sobre  a existência do inferno.

As duas músicas que se ouviram depois foram tocantes para José Cid, “Nesta alma que eu tenho” por ter sido escrita por Maria Luísa, e “Um dia” que é outro dos poemas de Sophia de Mello Breyner Andersen.

Numa espécie  de encore passou-se para os temas do álbum “10000 anos depois entre Vênus e Marte” e ouviu-se um medley de “Último dia na terra” e “Caos”.

Visivelmente satisfeitos, artistas e público, ouviu-se “Fuga para o espaço “e “Mellotron, o planeta fantástico”.

“10000 anos depois entre Vênus e Marte” foi cantada entusiasticamente pelo público.

Ainda se ouviu “A partir do zero” e voltou-se ao refrão de “10000 anos”.

Um concerto de quase duas horas e meia, de pura diversão e contentamento, que não deixou ninguém indiferente, nem mesmo a Ministra da Cultura, presente na sala.

Como alguém gritou na plateia, “és o avô do Rock português” e um “visionário, sempre à frente do seu tempo”, não podemos deixar de concordar!

Texto | Raquel Coelho
Fotos | Jorge Torres Carmona

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