Ana Carolina

 

Após uma pausa de 6 anos, Ana Carolina dá início à digressão “Fogueira em Alto Mar”, comemorando vinte anos de carreira artística. Brasileira oriunda de Minas Gerais, o gosto pela música já veio de família. Além de ser cantora, é compositora, empresária, produtora e multi-instrumentista. Considerada uma das melhores intérpretes brasileiras, que alia baladas melodiosas a letras compostas de sentido que nos transportam para o mundo das emoções profundas.

Após vários adiamentos devido à pandemia, esta digressão é a décima segunda de toda a sua carreira. Veio apresentar-nos músicas do novo álbum, editado em 2019, intercaladas com os seus maiores sucessos. No dia 20 de novembro de 2021 atuou em Lisboa no Campo Pequeno, depois segue para o Porto e finaliza a digressão portuguesa em Coimbra.

Já passava das 21H30 quando Ana Carolina subi-o ao palco, tendo direito a um Campo Pequeno quase esgotado. Apresentou-se vestida com um tailleur brilhante. O espetáculo ia variando conforme as músicas eram mais intimistas ou pop. Existia um ecrã gigante, onde eram projetadas diversas imagens representativas de um dia de chuva, de uma viagem de carro ou um aquário de peixes. A iluminação também ajudava a mostrar o impacto das músicas e realçava a interação existente em palco de Ana Carolina com a participação da banda formada por Thiago Anthony (teclado, programações, violão e pandeiro), Theo Silva (guitarra, violões e pandeiro), Marcos Maia (baixo, violões e pandeiro) e Leo Reis (bateria, pad eletrónico, pandeiro e violões).

Cantou cerca de 20 músicas, algumas delas só com o violão e sozinha em palco. Nesses momentos, conseguiu-se perceber que nada mais era preciso. A voz da cantora brasileira é inebriante, potente e nunca desafinou. Entrava pelos ouvidos e preenchia toda a nossa alma, fazendo com que os arrepios acontecessem e o silêncio impera-se perante tamanho talento. Metade do público era brasileiro e gritavam maravilhosa. A cantora retribuí-o afeto, cantando músicas do novo álbum tais como “Não tem no mapa”, ou os sucessos “Confesso”, “Quem De Nós Dois”, “Encostar Na Tua”, “Combustível” e “É Isso Aí “. Depois houve um tempo para o samba. Durante o concerto a artista oscilava entre estar sentada ou de pé, mas esteve quase sempre a tocar violão, guitarra ou bandoleiro.

Uma das últimas músicas foi “Rosas” e no fim mandou pétalas de rosa para o público, que a aplaudi em pé, entusiasmados pela euforia tardia da cantora.

Foi um concerto de uma diva que não precisa de provar o seu mérito, no entanto, o concerto de hora e meia foi insuficiente para o considerar como um dos melhores. Esperava mais, mas acredito que o facto de estarmos todos com máscara e sentados, ainda numa época de receios sanitários, tenha restringido a alegria que o seu talento merece.

No entanto, afirmado por uma fã sua, foi o melhor concerto de Ana Carolina que ela assistiu até hoje. Eu irei passar este domingo chuvoso, a cantar as músicas porque além delas ficarem no ouvido são na minha opinião de uma qualidade, que nem todos alcançam.

Texto | Ana Margarida Matias
Fotos | Jorge Torres Carmona

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