Super Bock Em Stock

A Avenida da Liberdade recebeu no passado dia 22, o primeiro dia do Festival Super Bock em Stock. O Festival contou com mais de 9 salas, um autocarro e mais de 50 artistas, que actuaram nas diversas salas ao longo da Avenida: na Sala Rádio SBSR (Estação Ferroviária do Rossio), na Sala Buondi (Palácio da Independência), na Sala EDP (Casa do Alentejo), na Sala Super Bock (Coliseu dos Recreios), na Sala Ermelinda Freitas (Máxime), na Bloco Moche (Cine-Teatro Capitólio), na Cinema S. Jorge, Teatro Tivoli BBVA e Sala Santa Casa (Garagem EPAL).
A escolha dos concertos a ver neste dia não foi fácil, existiam diversos concertos com horários sobrepostos e em salas afastadas mas para ajudar nesta azáfama de subir e descer a Avenida, a organização dispôs, mais uma vez, de um autocarro, o Super Bock Bus, onde foi possível ver actuações de 15 minutos. Para além do super Bock Bus existiram também os Shuttles Super Bock em Stock, que davam boleias gratuitas entre os Restauradores e o Cinema São Jorge/ Teatro Tivoli BBVA, entre as 19h00 e a 01h00. Para usufruir das boleias, bastava apresentar a pulseira do festival.
Fica aqui a crónica resumida de alguns artistas que actuaram no primeiro dia do Festival.

LUÍS SEVERO
Dois anos depois Luís Severo volta a pisar o palco do Teatro Tivoli BBVA, e relembra o quão feliz já foi nesta sala e onde inclusivé gravou um concerto que deu origem a um disco ao vivo, “Pianinho”. Dois anos passados e a temática do concerto já não se centra no álbum lançado em 2017, que foi considerado por grande parte da crítica nacional como o melhor desse ano, mas sim no seu mais recente trabalho, o álbum que lançou este ano, O Sol Voltou.
A resposta positiva ao artista e ao seu mais recente trabalho, fez-se representar pela sala cheia, embora o reboliço de entradas e saídas durante o decorrer do concerto, possa ter sido algo destabelizador para quem queria embalar ao som do músico. 
O concerto começa com Luís Severo em palco, voz e guitarra eléctrica tocada com grande delicadeza e assistimos à interpretação de alguns jovens clássicos: “Planície”, “Amor e Verdade” e “Joãozinha”, do seu mais recente álbum. Sobem então ao palco os seus convidados, Sara Coroado, Nuno Coroado, seus primos, e Rebeca Csalog para o acompanharem no violoncelo, contrabaixo e na harpa, respectivamente.

AMAURA
No palco Bloco Moche Lá Dentro, dentro do Capitólio, foi possível assistir à apresentação da mixtape de estreia da artista AMAURA, denominada “Em Contraste”.
A sala esteve com pouca adesão mas isso não impediu a artista de contagiar o público com a sua descontração e boa disposição, “Obrigado por terem vindo, obrigada ao super bock por me ter convidado”, criando um concerto com uma atmosfera quente e doce.
O concerto foi correndo de forma bastante fluída e com alguma rapidez, sem perder grande tempo entre cada um dos temas mas justificando e desculpado-se pela correria, “já sabem como é em concertos de festival”.
AMAURA interpretou ainda uma cover de “Valerie” de Amy Winehouse de forma bastante sentida e conseguindo que boa parte do público a acompanha-se. Temas como “Marvel da Tuga”, dolce far niente de “Blues do Tinto” ou “Dança” não passaram despercebidos, demonstrando que AMAURA pode ser sinónimo de festa e diversão.
Houve ainda espaço para apresentar uma nova música que não saiu na mix tape, “Um só”. Chama então TNT, que já se encontrava em palco, para cantar consigo a última música, despedindo-se assim deste Super Bock em Stock.

MURTA
No seu primeiro concerto com banda, Murta sobe ao palco do São Jorge para apresentar o seu disco de estreia, D’ A R T V I D A.
O artista de 21 anos, ficou conhecido do grande público após a sua participação no The Voice, onde chegou à final,  e desde então tem vindo a conquistar espaço na pop portuguesa, onde a sua música “Porquê” conta já com 4 milhões de visualizações no youtube em menos de um ano.
A felicidade que Murta estava a sentir enquanto actuava era notória, até os mais distraídos se puderam aperceber pois o músico fez questão de a ir expressando várias vezes durante o decorrer do concerto, “Incrível, ainda nem acredito, obrigada malta”.
Apesar do álbum ser relativamente recente, eram já muitos os que sabiam as suas letras e não se pouparam a cantá-las do início ao fim. Para além da apresentação do álbum, houve espaço para um Cover da música “Duía” dos Da Weasel, em que o público, desta vez mais velho, acompanhou a letra e a quem Murta agradeceu no final “Vocês são fixes”.

MICHAEL KIWANUKA
A enchente que se fez notar no Coliseu dos Recreios para assistir ao concerto do músico britânico Michael Kiwanuka, revelou que aquele era, claramente, o nome mais aguardado do Super Bock em Stock deste ano.
O Rock Indie e o Soul fizeram parte do concerto, num equilíbrio perfeito que o músico conseguiu colocar entre ambos, apesar da grande diferença de estilo musical.
O apoio que o músico teve das suas back vocals e da sua competente banda foi necessário para o sucesso do espectáculo, pois a harmonia entre todos os elementos permitiu juntar brilho ao espectáculo.
O cantor britânico veio a Portugal para apresentar o seu novo álbum, “Kiwanuka”, contudo, do novo disco ouviu-se apenas “You Ain’t the Problem”, “Rolling” e “Hero”, tendo o resto do alinhamento sido feito com base nos discos” Love & Bate” e “Home Again”.
Apesar de a qualidade do som não ter estado nas melhores condições, de o músico não ser um homem de muitas palavras e de por vezes o instrumental não ter deixado o cantor “brilhar”,  a imensa alma e o imenso soul presentes na obra do londrino não permitiram que ninguém ficasse indiferente a este espectáculo.

RUA DAS PRETAS
O projecto Rua das Pretas, que tem como mentor Pierre Aderne e que tem promovido e divulgado a música lusófona, actuou na Casa do Alentejo. Num ambiente bastante intimista e descontraído, rodeado da extrema beleza arquitectónica e decorativa do salão nobre da Casa do Alentejo e com uma iluminação a contribuir ainda mais para a beleza da sala, Pierre e os seus convidados interpretaram músicas conhecidas do grande público, “Estranha Forma de Vida”, “Guia”, “Saudades do Brasil em Portugal”, entre outros. Para além dos temas mais conhecidos, foi também momento para estrear duas músicas novas, Fado Sexta-Feira’ e ‘Meu Maracanã’. Em palco, esteve acompanhado por Nilson Dourado na percussão/clarinete/viola caipira, Walter Areia no contrabaixo, Ricardo Quinteira no violão/Tres Cubano, a jovem fadista Joana Almeida e a estreia de Nani Medeiros.

Texto: Eliana Palma
Fotos: Ricardo Mussa

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