Toquinho

Toquinho veio comemorar em Portugal os seus cinquenta anos de carreira com três concertos. Dois no Teatro Tivoli BBVA em Lisboa, nos dias 7 e 8 de Outubro, e outro no Coliseu do Porto, no dia 9.

O artista brasileiro da bossa nova, que tem registadas mais de quatrocentos músicas e que editou oitenta e seis álbuns inéditos, apresentou-se ao público no primeiro dia dos espectáculos no nosso país com uma viola e a cantar de forma pura e profunda, como só os grandes conseguem fazer.

 O tema “Testamento” abriu aquela que foi uma noite mágica, em que o público vibrou em cada acorde da guitarra e com cada palavra proferida, exprimindo esse mesmo contentamento de forma correcta, mas audível.

Quando falou pela primeira vez com o público, disse que passava sempre por Portugal de todas as vezes que vinha à Europa, e que fazia questão de comer um bom peixinho. Apresentou-se sempre naturalmente simpático, descontraído, simples e de certa forma desprotegido com o tipo de concerto que apresentou.

Entre cada tema contou uma história sobre o mesmo, quer fossem recordações de como os compôs, quer de momentos de recordação que estes lhe traziam.

A segunda música da noite, que acabou por ser um medley entre “ Corcovado” e “Garota de Ipanema”, foi apresentado como uma fórmula forte de despertar para os ritmos brasileiros.

Nesta altura entrou em palco o clarinetista e saxofonista Nailor Proveta que o acompanhou neste e em quase todos os temas até ao final da noite e juntos tocaram numa simbiose perfeita “Chorando pra Pixinguinha”.

De um tão grande número de sucessos, deve ser sempre difícil fazer uma selecção para apresentar ao vivo, mas houve temas incontornáveis como “Que maravilha”.

Depois de um dedilhar magnifico de guitarra, entrou em palco uma convidada de Toquinho, Camila Faustino, que acompanhou em vários temas o artista, como em “Andanças”, “Chega de saudade”, Eu sei que vou-te amar” e a belíssima “Saudades do Brasil em Portugal”.

Para participar num só tema, Betinho Mateus também se juntou em palco a Toquinho.

“Berimbau” e “Aquarela” foram os dois temas que se ouviram antes de todos saírem de palco, ao som comovente de palmas.

No encore tocaram “Canto de ossanha” e uma ovação foi ouvida na sala. Houve quem ainda tivesse arriscado pedir mais um tema, o que não foi possível.

Um concerto que não deixou ninguém indiferente!

Texto: Raquel Coelho