Montepio Fado em Cascais – Carminho, A Simplicidade da Perfeição

O segundo dia do Festival Montepio Fado em Cascais, contou com a atuação de mais uma das grandes vozes do Fado Português.

Carminho entrou em palco e encantou todos aqueles que deixaram o conforto de suas casas neste sábado, dia 21 de Setembro, e enfrentaram o frio e a humidade que se fazia sentir.

De forma honesta, a artista entrou em palco e cantou “O Começo – Fado Bizarro” e “O Menino e a Cidade”, num ambiente quente e intimista, com uma luz vermelha por cima dela e ténues luzes da mesma cor vindas de trás, transportou-nos para o aconchego de um abraço.

Apresentou o seu mais recente trabalho discográfico “Maria”, referindo que todos nós somos Marias e que passamos por histórias bastante semelhantes, daí tantas pessoas se identificarem com as musicas que canta. Desejou a todos uma boa viagem nesta vida.

De seguida passou para os temas “A Bia da mouraria”, “Malva-Rosa”, “Se vieres” e “Porquê”, nesta altura ninguém tirava os olhos de Carminho tal a emoção que se sentia em cada palavra.

Voltou a abordar o público, desta vez para contar a história de Maria José que não saía da janela e que assim via o seu amor passar todos os dias, cantando “Bom dia, amor”, e pedindo ao público que a acompanhasse no refrão.

“Disse-te adeus” e “Poeta”, deixaram a plateia quente de emoção, mas no tema “Meu amor marinheiro” a artista ficou a cantar sozinha ao som de uma só guitarra, e foi um momento arrepiante.

Depois de uma excelente interpretação de “Quero um cavalo de várias cores”, os músicos foram apresentados e logo a seguir “Estrela” foi a homenagem sentida a todos aqueles que estão mais próximos da fadista e por quem ela nutre afecto, e num momento pouco habitual foi possível ver Carminho a pegar numa guitarra e a tocar e a cantar.

Os temas “Sete Saias” e “Pop fado” animaram a plateia. E em “Uma vida noutra vida – Fado pechinca” os instrumentistas tocaram à vez os seus solos.

Para terminar foi possível ouvir “Marcha de Alfama” e “Escrevi teu nome no vento”, nesta altura e apesar do frio que se sentia, os presentes estavam de alma aquecida.

No encore Carminho citou o seu próprio pai dizendo que “Não é só fadista quem canta, mas também quem ouve”, agradecendo desta forma a presença de todos os que a têm acompanhado no seu trajecto e que ouvem e fazem o fado crescer.

A meio de “As minhas penas” Carminho desligou o microfone, o som das guitarras ficou muito baixo e foi como se todos tivessem de repente sido transportados para uma casa de fados, ouviu-se a artista a cantar de forma crua e completamente despida.

Depois deste intenso momento, a noite terminou com “Saia rodada”, para satisfação de todos.

Um concerto inesquecível para quem teve o privilégio de o ter visto!

Texto: Raquel Coelho
Fotos: Jorge Torres Carmona