Kassav a 02 de Novembro – 21H00 no Campo Pequeno

É ainda hoje polémica a relação do “Zouk” com a “Kizomba”. Eduardo Paim, considerado o criador do género que conquistou os portugueses e não só, reconhece as influências do “Zouk” mas afirma que a evolução da “Kizomba“ já tinha começado muito antes, na fusão do “Semba” com sonoridades mais lentas e sensuais vindas do Haiti, das Caraíbas e da América Central como “Kompa”, “Kadance”, “Calypso” ou “Salsa”, e ouvidas nas cassetes dos soldados cubanos.

De facto, Paim, Bonga ou André Mingas já eram artistas de sucesso em Angola e em toda a lusofonia desde os anos 70 e início dos anos 80, sendo na realidade a 1ª geração da “Kizomba”. Os Kassav só nasceriam em 1979 mas as constantes digressões por África e as várias visitas a Angola para concertos de estádio em meados da década de 80, fizeram com que de facto o “Zouk” influenciasse uma inteira nova geração de músicos angolanos que, nas décadas seguintes, procurou a melodia ausente do “Kuduro” e modernizou a “Kizomba”, encaminhando-a para uma sonoridade mais “pop”, “mainstream” e global que acabou por se espalhar pelo globo.

Hoje, o “Zouk” é a expressão musical francesa mais disseminada pelo mundo, muito graças aos 40 anos de atividade dos Kassav, com milhões de discos vendidos, lotações esgotadas no Zenith de Paris mais de 40 vezes e digressões mundiais por circuitos completamente alheios a gigantescas corporações como a Live Nation ou a AEG Live. É por isso, por apostarem em territórios raramente visitados por estruturas profissionais de entretenimento, que deixaram escola nos mais variados pontos do mundo, sendo vários os nomes de proa de géneros que vão do “Hip Hop” ao “Reggaetton” (passando pela “Kizomba”), que assumem as influências dos Kassav.

A longevidade do sucesso do grupo surpreende os próprios músicos e nos últimos 10 anos a banda deu mais de 400 concertos e foi vista por quase 3 milhões de pessoas, cimentando a reputação dos Kassav como o orgulho da música caribenha, construída entre o “glamour” de Elvis, as canções dos Beatles e os textos de Dylan.

Este ano, para celebrar os 40 anos de atividade dos Kassav, o Netflix lança um documentário com depoimentos de figuras como Stevie Wonder, Wycleff Jean, Youssou N’Dour e Miles Davies (entre outros).

E a banda começou uma nova digressão mundial a 11 de Maio perante 20.000 espectadores na Paris La Défense Arena, onde dias depois actuariam os Rammstein. A tournée vai andar num constante vaivém entre a Europa, as Caraíbas, África (incluindo Maputo a 28 de Agosto) e paragens tão remotas como Vanuatu ou a Ilha de Reunião.

É esta tour – que em França tem esgotado lotações e obrigado a segundas datas – que vai encher o Campo Pequeno no sábado 2 de Novembro de 2019 para a autêntica festa tropical que caracteriza os suados concertos dos Kassav.