Os últimos dois dias do Festival Músicas do Mundo Sines 2019!

Foto – Câmara Municipal de Sines

Já se sabe que FMM é sinónimo de “MÚSICAS com ESPIRITO de AVENTURA” e não podia existir frase mais identificativa para o evento!

Música é a ordem do dia, o espírito eleva-se e a aventura simplesmente acontece!

Pelo menos uma vez na vida todos os portugueses e o resto do Mundo deveriam passar pelo FMM.

Este festival não se explica bem, é mais um sentir, é um vibrar exponencial, é matéria harmónica e tudo rola numa ligeireza impressionantemente intensa.

Dos concertos que vimos nos últimos dois dias de Festival este ano, portanto dia 26 e 27 de Julho na Vila de Sines, como era de prever gostamos de todos, embora nem sempre possam ser “a nossa onda” mas a envolvência e o tal espirito a “coisa sabe bem”.

No dia 26 andamos só pelas ruas a viver as emoções e em cada canto ouvem-se sons espontâneos vindos de instrumentos sejam ele de cordas, percussão ou sopro e os corpos dão movimento à energia que paira no ar. Ali, naquele momento não existem fronteiras, não existem crenças, nem religiões… existe apenas o momento da libertação do sentir.

Existe a oportunidade para quem não tem a pulseira para entrar dentro do Castelo para os concertos pagos, ecrãs gigantes em alguns pontos da Vila, e nesses pontos o aglomerado de pessoas é bastante intenso e o ambiente que se vive é divertido, podem assim assistir a esses concertos do lado de fora. Podemos dizer que esta ideia agrada a todos porque os concertos dentro do Castelo costumam esgotar, assim todos desfrutam. Nada como ver o concerto entre muralhas, mas em caso de impossibilidade, fica o agrado de ver artistas de outras paragens.

E foi num desses ecrãs junto ao castelo que apreciámos o OMAR SOULEYMAN da Síria, já a noite ia “por aí fora”, o ritmo arábico fez as pessoas saltar e acompanhar com palmas aqueles compassos tão próprios o dabke e balad que através de um músico nas teclas fazia um elaborado jogo de sons que funcionava como uma banda.

No dia 27, sábado, para começar o dia a ideia era ir para a praia, era, porque o dia começou nublado e molhado, a praia e as ruas estavam vazias, mas, mas o tempo deu-nos tréguas e por volta das 15:00 horas o sol começou timidamente a mostrar o seu brilho e devagar o frenesim encheu as ruas e a praia, o dia estava salvo.

E foi pelas 18:00 horas que VIRGEM SUTA (PORTUGAL) a actuar no Palco do Castelo, a esta hora os concertos são de entrada gratuita, que estes senhores fizeram um concertaço. O recinto estava repleto, mas pelas 17:00 horas já entrava gente para reservar os melhores lugares sentados nas bancadas ou à sombra.

Às 21:00 horas no Castelo a entrada a partir desta hora é com pulseira, a noite esgotou, começaram os LADYSMITH BLACK MAMBAZO de África do Sul, 8 cantores em palco com apenas as suas vozes e alguns movimentos abrilhantaram o início da noite, foram bastante aplaudidos.

As mudanças no palco entre concertos é rápida e pelas 22:15 horas com ligeiro atraso chegou-nos IKOQWE de Angola e Portugal, este espectáculo foi de facto diferente, como marca do FMM artistas activistas são presença assídua e estes vieram de outro planeta para “responder a uma emergência na Terra”, frase ouvida em voz-off e deixaram mensagens aos terráqueos. Difícil saírem indiferentes, as fortes mensagens políticas associadas aos sons e aos passos de dança de um bailarino que os acompanhou, resultou num brilhante momento.

Ainda no Palco do Castelo às 23:30 horas vieram dos EUA os UNDERGROUND SYSTEM, 7 músicos que nos trazem novas misturas, outros sons que fizeram a plateia mexer.

Para encerrar as actuações neste Palco nada melhor que os conhecidos INNER CIRCLE vindos da Jamaica que nos trouxeram o reggae com as músicas que fizeram furor como “Bad Boys”, “Sweat (A La La La La Long)”, em cheio! Foi com o recinto esgotado e com os primeiros acordes do grupo que o fogo-de-artifício iluminou o Castelo. Durante cerca de uma hora a plateia ondulou com os braços no ar e marcaram compasso do reggae.

As músicas do mundo continuaram mas com a mudança de palco, foi pelas 02:30 horas na Av. Vasco da Gama, junto à praia o Palco Galp, de entrada livre, que recebeu António Marcos vindo de Moçambique, a juventude já lá vai, nota-se no rosto, mas o espírito esse é mais novo que muitos novos. Uau que concerto. Enérgico e ritmado.

A noite já ia longa, mas ainda ficamos para ver LA P’TITE FUMÉE de França pelas 03:45 horas, que nos ofereceram trance natural, música trance com instrumentos acústicos. Algo diferente pelos instrumentos utilizados, a avenida encheu, a plateia vibrou, momento de transe e de libertação espiritual.

Passaram dois dias num instante, é sempre assim, quando os momentos se vivem intensamente e carregados de aventura que ficam na memória da gente… viajamos por sons.

Para o ano viajamos outra vez! Até lá!

Texto: Raquel Ataíde