Xave Lançam Primeiro Single do Álbum Que Sai em Abril

SE FOI AMOR é o primeiro single de XAVE, projecto encabeçado por Rodrigo Guedes de Carvalho e Isabelinha. Finalmente, o primeiro disco, é lançado no início do próximo mês de Abril. 

SE FOI AMOR
Se foi amor
Cabia na palma da mão
Caía ao chão e não se via
Qualquer ventinho o levava
Não foi amor
Não foi desenho – Foi rascunho
Um mês de Junho a escaldar
Foi só carinho a dar, a dar
Foi so sorriso a corar
Não foi amor
Se foi amor
Foi pequenino e voou
Dele restou um grão na areia
Mas volta e meia vai e volta
E vai e volta
Foi só calor e um gelado
A despedida ao pé do carro
O pai que chama – eu tenho de ir
Não foi amor, não foi amor
Então que foi?

  • Letra e Música Rodrigo Guedes de Carvalho
  • Arranjo Ruben Alves
  • Arranjo de Cordas Tiago Derriça
  • Voz Isabelinha Piano Ruben Alves
  • Violino Joana Alves Amorim
  • Violino Miguel Faria Hourtiguet de Vasconcelos
  •  Viola Johann Velislav Hamrol Pereira
  •  Violoncelo Tiago de Sousa Derriça

Isto não é um disco. Isto sou eu a dobrar, finalmente, um cabo que me parecia intransponível. A iniciar uma viagem que adiei o tempo de quase toda uma vida.

Não tenho memórias nítidas da infância. Sei que fui imensamente feliz mas faltam-me lugares, datas, rostos e alguns cheiros. Mas lembro-me (ah, se me lembro…) do miúdo a virar o vinil no gira-discos. A ler as letras, arriscar cantar, a fingir que a raquete de ténis era uma guitarra. Em frente ao espelho, esse miúdo jurou que seria músico.

Mas a vida, como a tantos de nós, trocou-me as voltas. Desviou-me. Levou-me por outras estradas. Guardei a música numa gaveta funda dentro de mim. E de repente (garanto-vos que é de repente) passaram quase 40 anos. Até que me sentei ao piano. Como e porquê, é história longa que irei contando por aí. Sentei-me e toquei. Fechei os olhos, inventei palavras para os acordes.

E comecei, finalmente, a pagar a promessa ao miúdo em frente ao espelho. Esta reinvenção de futuro que aqui vai só foi possível porque o Ruben Alves me deu a mão. Tornou-se as minhas mãos. As que não conseguem tocar o tanto que ouço na cabeça. Mas antes disso houve o princípio do vulcão adormecido. Isabelinha. A xave que avançou sem medo para a porta que parecia fechada. A voz que procurei sempre, sem mesmo saber que a buscava. A voz que me traduz. A xave que abriu o ferrolho do sonho. Finalmente.

Rodrigo Guedes de Carvalho